Indagação feminina: De Samantha Stephens até Samantha Jones?

Março 26, 2008

Ser mulher é uma tarefa complexa. Pelo menos para mim é.

Engraçado como as notícias que a gente lê e vê fazem a mente ficar pensando e indagando sobre a vida, cutucando lá dentro o dia inteiro. Ontem eu vi uma reportagem comentando sobre o dilema feminino: VIDA PROFISSIONAL X VIDA FAMILIAR…casamento, filhos e tudo mais. E lá dizia que pesquisas mostram que cada vez a mulher quer menos se casar, e acaba optando por manter uma vida profissional de sucesso, optando por morar junto, liberar geral, não ter filhos…. Eu sinceramente não sei até que ponto essa MAIORIA condiz com a realidade.

Ao meu redor vejo muito mais uma grande confusão mental, como a minha atual. Unir relacionamentos de sucesso, filhos e uma grande carreira profissional me parece mais com o sonho dessas mulheres, e por fim, me encontrei mais uma vez me perguntando se a gente não tá querendo o impossível (será?).

Samantha Stephens x Samatha Jones MODELOS FEMININOS: De “A Feiticeira” até “Sex & the City”

Fiquei pensando na origem do problema, lá nos anos 50 e 60, quando a mulher começou a botar a cara para fora de casa, encurtou a saia e pegou escondido a chave do carro do marido. Foi aí que surgiram na mídia produtos que tentaram de todas as formas conter essa mudança. Para mim, o principal ícone dessa mulher que eles queriam resgatar é Samatha Stephens, a bruxinha fofa de “A Feiticeira”, que opta em largar a feitiçaria para se tornar a esposa e dona de casa perfeita (analogias óbvias a parte).

A personagem em questão é doce, é engraçada e é quase irresistível não gostar dela (será que o roteirista pensou nisso?). É interessante observar como ela luta com todas as forças para ser essa esposa ideal. Assistindo a série é possível perceber que a intesidade dessa mensagem anti-feminista vai reduzindo, possivelmente porque foi impossível conter a realidade, e Samantha ainda assim se torna bastante ousada para sua época: usa saias curtas, dirije o carro do marido, dorme em cama de casal(isso era inédito na tv rsrsrs). Entretanto, para mim ela é ainda um marco da propaganda anti-mulherada-fora-de-casa.

Comecei a pensar então nos dias de hoje, e encontrei em outra série o oposto dessa Samantha dos anos 60, que por sinal também chama Samantha….a Samantha Jones do “Sex & The City“. Ela é filha dessa nova mulher atual: moderna, independente, tem uma carreira de sucesso, é resolvida, sexualmente desinibida, até mesmo bem promíscua…. Quase um James Bond de saia… ela até se apresenta como ele: “Jones… Samantha Jones”. Como o personagem mais “agressivo” da série, ela chega a conflitar com os egos feminos românticos das outras personagens. E é engraçado como, mais uma vez, a própria série foi mostrando gradativamente que o ícone que eles querem mostrar, não vence a realidade: Samantha no final se apaixona, e fica com um cara para toda a vida… por mais que ela lute muito contra isso, ela acaba caindo no mesmo retrato de todas.

A primeira Smatantha foi apenas modernizada. Engraçado pensar nisso: a mídia tenta influenciar as pessoas, mas no fim algumas coisas seguem um ritmo diferente, e talvez ela siga esse ritmo.

Dentro da minha confusão, não acho que a resposta esteja em seguir os extremos, mas em buscar as soluções centrais. No fim, a gente acaba tendo que decidir mais por um lado, ou por outro, mas para mim a liberdade da mulher está na possibilidade de ANALISAR sua própria vida, escolher um caminho e seguir, sempre com consciência. Não fazer o que talvez outros queiram, que é cegar a pessoa de opinião, esfregando modelos que pareçam perfeitos, e faze-la escolher algo que talvez não queira.

Pois é… ser mulher é dose. Uma dose de alegria e um monte de confusão.=)

Quem quiser suas próprias opiniões, segue dois exemplares das séries citadas (adoro).


A Feiceira


Sex & The City (tire as crianças da sala ahah)

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